O OLHAR VIGILANTE DA FLORESTA
Doralice Fernandes Xavier Alcoforado – UFBA
“Mato tem olhos, parede tem ouvidos”.
A recolha das manifestações da cultura popular baiana, que estamos realizando no Instituto de Letras da UFBA há mais de uma década e já efetivada em 57 municípios, tem colocado diante de nós um produto cultural repleto de matizes e significados etnográficos, como expressão do imaginário do Estado, e valiosa amostra da sua diversidade poética e variação dialetal. Dessa multiplicidade de formas e de gêneros documentados encontram-se os “causos” de lobisomem, mula-sem-cabeça, mãe-d’água, caipora. São relatos ricos em detalhes, que falam de emoções resultantes de um contacto direto com esses seres míticos, experimentadas por homens e mulheres, com indicação precisa da hora e lugar do acontecimento. Geralmente esses relatos são fornecidos por quem os vivenciou ou por alguém muito próximo, quase sempre a família, e testemunhados por mais de uma pessoa, o que não deixa dúvida quanto à veracidade do ocorrido, confundindo fronteiras entre natural e sobrenatural. “No imaginário brasileiro é bastante comum encontrarem-se percepções da natureza fortemente simbólicas e mágicas” (Leite, 2000).
Nesta comunicação falaremos de “causos” de Caipora. Para isso selecionamos 12 versões coletadas em diferentes pontos da Bahia nos últimos dez anos.
E eu vi aquela zoada : Eou-hou-hou-hou-hou. Dez e meia! Aquele barulho, aquele ruído danado! “Meu Deus, o que é aquilo?!” Aqui no sertão tem um animal que nós chamamo caipora. Essa que nós chama caipora diz que é a rainha do mato, a dona do mato, né? Ela encanta, pinta o sete! (Edmundo Cerqueira Campos. Canudos, 1993)
A materialidade física, com que é descrito – “é um animal”, e os poderes extraordinários que dizem possuir – “Ela encanta, pinta o sete!”, fazem da caipora um ser ambígüo, apresentando atributos e formas incompatíveis a uma definição precisa da sua natureza, de acordo com uma taxinomia biológica, colocando-a no campo da sobrenatureza.
A Caipora é um ser mítico defensor da vida animal selvagem que habita as matas brasileiras. No que pese a etimologia do termo definir o lugar da sua morada: caá = mato; pora = habitante, outros nomes lhe são atribuídos. Na área pesquisada do Estado da Bahia, caipora é sempre o termo usado para designá-lo, contrariamente ao que acontece no norte do Brasil, onde é conhecido por Curupira, um ser mitológico que tem os pés voltados para trás. “O Curupira é um caapora que reside no interior das matas, nos troncos das velhas árvores”, registra Câmara Cascudo em seu Dicionário. Em um dos relatos selecionados por nós, uma contadora de Alagoinhas – BA faz questão de afirmar que a caipora “não tem o pé para trás.” Em versão de São Paulo, sua figura é descrita como a do Mapinguari ou Polifemo, apresentando-se com um único olho na testa (Rev. Arq. Municipal). Em Mato Grosso, é designada por Mãozão.
Apresentando-se sob diferentes formas e utilizando-se de variados artifícios, a depender da percepção do contador do “causo” que lhe atribui materialidade física, a Caipora ou o Caipora, como também é chamado, protege os animais da ação pedratória do caçador, enredando-o nas malhas enganadoras dos labirintos da floresta, das quais só se livra através da prática de alguns rituais. Apenas os iniciados, decodificadores desses signos demarcadores de fronteiras, sabem orientar-se nos meandros da mata, conhecem os seus segredos e detêm o saber que pode neutralizar as suas armadilhas colocadas a cada passo.
Por vezes são-lhe atribuídos poderes extraordinários, como o de ressucitar animais mortos por caçadores sem a sua permissão, fato não registrado nas versões em estudo, mas documentado em uma das coletadas por Silva Campos no Recôncavo baiano e em uma versão em cordel:
Quando ia dirigir-se
aos porcos mortos no chão
um moleque apareceu
com um enorme ferrão
montado num porco-espinho
na densa vegetação.
E enfiando o ferrão
nos flancos dum animal
mandou-o se levantar
que o tiro não foi mortal
o porco saiu correndo
por dentro do matagal.
(Silva, Lenda do Caipora.)
Vejamos alguns desses relatos revividos pela experiência rememorada:
Aí nós tava mais os menino, nós viu lá, aquela zoada; era qualquer coisa. (...) Aqui no centro da caatinga, de noite, uma hora dessa, rapaz! Que negócio é esse! Aí nós subimos no pé de umbuzeiro. Com pouco lá se vem labareda: ou-ou-ou-ou! Um caboquinho, comadre, montado num porco, um porco do mato! Vixe, rapaz! Quando ele passou por debaixo e [se] meteu o machado na testa dele, teiiiim! Ele diz: “Ô pancada danada! Mas nem caiu... Aí no outro dia eu tava tombém ali, fui caçar sozinho. Aí quando tou olhando assim pra juriti, aí vi levantar-se aquela mulezona, morena bem escura, alta, magra, e só tinha uma perna. Oxente! Que negócio é esse! Aí levantou toda ... mesmo com três metro de altura. Eu, “crem-deus-padre!” Aí virou pra mim assim: “ O senhor tem fumo?” Eu tinha um pedacinho de fumo dest’tamanho, entreguei, né? Foi só pegar o pedacinho de fumo, embolou todinho e colocou dentro do cachimbo. Aí ficou olhando pra mim com o cachimbo sem sair fumaça, popo-popo!E eu apreciando. Menino, quando eu mudei a vista, essa muler soltou um jato de fumaça por baixo: xoooouuuu! que só viu foi foia por tudo quanto é canto! Que eu procurei, eu viajei e sai retado, assim umas três légua, perdido! Foi, com certeza a rainha do mato!” (Edmundo Cerqueira Campos, Canudos, 1993)
Outro depoimento, fornecido por um senhor de Taperoá-Ba, em 1996, faz referência a uma cena no manguezal, por ele comparado a um supermercado pobre, certamente por ser o lugar de onde pessoas de pouco poder aquisitivo retiram seu sustento. No período da desova, os pescadores de caranguejo se adentram no manguezal, que se assemelha a uma floresta devido à grande quantidade de raízes, aproveitando-se do momento em que as fêmeas saem para pôr os ovos, tornando-se por isso presas fáceis; e, quando querem voltar, não acertam o caminho, “então aí dizem que foi a Caipora quem os enganou”.
Dos índios Pankararé, que habitam no Rasgo da Catarina – BA, temos um relato, fornecido pelo cacique Afonso, que documenta a familiaridade com que pessoas da tribo mantêm contacto com essas entidades, demonstrando um relacionamento mais ou menos corriqueiro e informal, existindo, inclusive, formas de os atrair:
Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
“Esse assobeinho é um assobeio que a gente tem como tradição dos antepassados para chamar os encantados. Agente tem conhecimento das mata que tem caça e cada caça tem o seu dono, né, e agente tem muito segredo com essa coisa de mato.”
Um tempo, um caçador foi caçar numa época de seca ruim, num tinha nada pra comer. Aí deu duas, três viagens no mato, não encontrou nada pra trazer pros seus fio. Aí ele voltou novamente. Aí ele estava deitado debaixo duma álvore chamada imbuzeiro, chamando por Deus, pra que Deus ajudasse que ele arrumasse caça pra famia comer, que estava passando fome. Aí chegou uma caiporinha – que se trata de encanto do mato! –, aí falou pra ele, se ele levasse um presente pra ela, ela daria caça pra ele toda a vida. Aí ele prometeu. Então ela bateu ali numa álvore, aí, de repente, apareceu um bando de caitetu. Ele escolheu e matou uma caça das maior que tinha e voltou pra casa. O objeto que a caipora pediu, foi que ele levasse uma quarta de fumo e um pente virge e não deixasse a esposa pegar nesse objeto. Aí ele foi pra feira, comprou o fumo e o pente e voltou pra casa com o pacotinho embrulhado de papel e guardou. Como ele não costumava ir em feira, a esposa desconfiou. Foi devagarzinho, aí pegou sem ele ver. Quando ele chegou no ponto, que tinham marcado, a caipora não estava. Ele oiou numa curva, ela tava bem na frente de outra álvore. Aí ele seguiu à frente. Conde chegou onde ele avistou, não encontrou mais ela. Aí ele tornou a oiar, ela tava mais na frente. Aí deu sinal pra ele que tinha gente atrás dele. Aí ele oiava, não via. A muler dele se escondia, mode ele não avistar, que ela tava com ciúme dele, pensando dele levar o pacote pra alguma muier, que estava no mato. Aí conde ele chegou, onde a caipora tava, ela falou pra ele que não ia aceitar o presente porque a muier dele tinha pegado naquele objeto. Ele então ateimou com ela que a muier não tinha pegado. Ela então disse:
– Bom, eu vou pegar, agora sua muier vai ter um probrema, conde cê chegar em sua casa, cê vai ver.
Aí ele oiou pra trás, ela mostrou onde a muler tava, detrás duma moita. Ele voltou pra trás. Conde chegou em casa, a muier começou a passar mal e com poucas hora terminou morrendo, né?
A floresta constitui uma imensa matriz, fonte aparentemente inesgotável da vida indomada, um espaço de conotações simbólicas e mágicas “indispensable dans l’évolution culturelle de l’humanité,” (Harrison, 26). Espaço à primeira vista indiferenciado, na realidade, está multifacetado em zonas, territórios habitados por seres míticos, guardiães das fronteiras, que delimitam os espaços sagrados do seu domínio num mapeamento sinalizado pelos mais diferentes signos. Cada território tem o seu vigilante que o protege contra o invasor e cujos limites só podem ser ultrapassados por meio de rituais. A Caipora, moradora da ma m que sentiu o sol esfriar. (...) Mas daí elas já foram perdendo o caminho. Aí vira minha mãe, que era mais esperta, e dizia assim:
- Ó Ceca, será que nós não estamo perdida, que a caipora não nos enganou?!
( Fernandina Paranhos Chave. Salvador, 1989 ).
Como defensora da vida selvagem, a Caipora é um vigilante exigente e comprometido com a preservação da fauna. Usando da autoridade que a sua condição lhe assegura, não permite a invasão do território sob o seu domínio sem a devida autorização. A desobediência resulta em represálias, castigos e até em morte. É o que está registrado nos dois exemplos abaixo:
O caçador prudente
ao conduzir o seu cão
antes de entrar na mata
deve, por obrigação,
ao caipora pedir
a sua autorização.
(Silva. Leda do Caipora)
– Que é que cê anda fazendo aqui?
– Eu ando caçando.
– Ah! Mas eu não aceito não!
– E o que é que a senhora é do mato? A caça é determinada pela senhora?
– Eu tou lhe avisando que não há de ser.
(Edmundo Cerqueira Campos. Canudos, 1992).
As culturas arcaicas discerniam os lugares propícios e os nefastos a certas práticas, razão pela qual o imaginário popular povoa de seres míticos certos espaços, atribuindo-lhes poderes extraordinários sobre os simples mortais, levando-os a observar certas regras de conduta por temerem represálias. É dentro dessa concepção de mundo que atua a Caipora, usando dos poderes de que lhe são atribuídos pelo imaginário popular defende seu território contra visitantes indesejados. Assim, ora confunde o senso de orientação do caçador, impedindo-o de encontrar o caminho de volta, ora aplica-lhe castigos físicos pela indevida invasão desses espaços, como documenta o relato que se segue:
Sou a dona do mato, então vocês vão embora senão vocês vão apanhar muito agora aqui no mato!(...) Vocês tão querendo muita coisa, e hoje aqui para vocês não tem nada! Se não querem apanhar mais, tomem o caminho e vão embora (...).Se vocês endentrar aqui nesse trecho, inda vai ser pior pra vocês de que hoje!
(Maria Rita -- Canudos, 1992).
Descrição física
Nas versões baianas estudadas há diferentes sinalizadores da manifestação da presença da Rainha da mata, o que prova que o caçador pisa em território sob o seu domínio. Pode ser uma inusitada advertência: “Evém boi”; a explicita manifestação de um desejo seu: “Quero pitar muito”; ou simplesmente a evocação do seu nome. A sintonia com o seu campo magnético pode fazê-la materializar-se por meio de diferentes formas: “caindo como quem era chuva e eu botava a mão dum lado e nada de chuva” (Oldaque Martins da Silva. Xique-Xique, 1999); ou de ventania: “dava aquela ventania nos pau, os pau pegava a ringir, aquela zoada” (Ângelo de Jesus. Teodoro Sampaio, 1998).
Em algumas versões, contudo, a figura da Caipora é descrita físicamente com detalhes: “mulezona bem alta, com 3 metros de altura, magra, morena escura, de uma perna só,” o que leva a confundi-la algumas vezes com a figura do Saci, mormente pelo fato de também aparecer fumando cachimbo (Edmundo Cerqueira Campos. Alagoinhas, 1993); mas também ela se mostra como um caboclinho montado num caitetu; sob a forma de um tatu que fala (Maria Rita. Canudos,1992) ou até mesmo, em uma versão de Amargosa, como um homem todo vermelho com um enorme cachimbo. Ou ainda como uma mulher alta, bonita, de pele clara, segundo a descrição de uma outra informante:
os cabelos, não vê cabelo de milho? É assim, cabelo de milho. Ela aparece assim, espiando tudo o que você está fazendo, um lado só. Se você vê o outro lado, você não volta pra casa. (Regina. Alagoinhas, 1998)
A capacidade de metamorfosear-se, às vezes, para um mesmo espectador, faz parte dos seus sortilégios, do seu poder encantatório. E tal como Artemis, a deusa grega guardiã da floresta, mostra-se nas suas várias faces. Seu humor, contudo, depende do tratamento que lhe dispensam: alegre e até mesmo gaiata, quando satisfeitos os seus caprichos e desejos; raivosa, se maltratada com xingamentos (Regina. Alagoinhas,1998), porém jamais perde o ar de superioridade.
Formas de neutralizar seu poder
Em alguns relatos, o xingamento funciona como uma espécie de antídoto para o visitante neutralizar o seu poder. Também o alho tem efeito semelhante. Porém nada se compara à eficácia do fumo:
o pessoal que andava no mato, andava sempre com fumo na capanga (...) e quando a Caipora ia, a coisa não pegava (Fernandina Paranhos Chaves. Salvador, 1989)
Nego tá perdido, já sabe, se tiver um pedaço de fumo no bolso ou o cigarro mesmo, é só tirar o fumo, enfiar na cabecinha do toquinho assim, bota, ela chega, pega, cheira, sai espirrando pior do que a zorra, espirra igualmente a gente. (Idem. Salvador, 1989)
Mais raramente, vestir a roupa pelo avesso, também se mostra eficaz em alguns relatos.
A floresta foi para o homem medieval, ao mesmo tempo, o território que prolongava e completava os seus campos e o lugar dos seus lendários temores ( Le Goff, 90). Era também o território suplementar das atividades econômicas do trabalhador; porém espaço aterrador para o caçador não habituado a orientar-se nos seus segredos, uma vez que os agricultores e os caçadores vivem num cosmos carregado de signos religiosos. Ainda hoje, as reações do homem diante da natureza são condicionadas muitas vezes pela cultura. O sobrenatural está indissoluvelmente ligado ao natural, pois a natureza sempre exprime algo que a transcende: a “sobrenatura” se deixa manifestar através de aspectos “naturais”do mundo, nos diz Eliade (p. 90).
Com o crescente movimento migratório do habitante da zona rural para os centros urbanos, com ele foram transportados também os seus mitos, fazendo aparecer nas cidades entidades antes exclusivas de região de mata. O espaço é outro, mas o homem, levando consigo o seu imaginário, povoado de seres fantásticos, processa uma ressemantização desses novos espaços, fazendo com que a habitante mítico da mata também se transfira para o espaço urbano. Em alguns relatos esse deslocamento é inquestionável. À pergunta se a Caipora já o havia enganado, um senhor responde: “Já me enganou. Em Alagoinhas mesmo, já me perdi, ali no ponto do Franscisquinho, ali na igreja do galo, sabe onde é?” (Ângelo de Jesus. Teodoro Sampaio, 1998).
A mesma pergunta uma outra pessoa responde:
Dentro da rua, foi ni um lugar que chama São Gonçalo dos Campos. Aí eu evinha assim, da casa de uma amiga(...). Aí eu vi gritar assim: “Evem boi!”. Eu corri pra frente. (...) Minha fia, até hoje eu ando nesse campo. Era. Ia no campo, voltava, descia na linha do trem até lá em baixo e vortava de novo.(...) Mas você acredita que de uma hora da tarde eu fiquei até cinco hora nesse vai e vem, assim, indo e vortando? Só com a ajuda de uma pessoa consegui chegar em casa. Essa caipora me enganou. A gente não vê ela não! (Deuza. Teodoro Sampaio, 1998).
Harrison, ao fazer comparação entre o espaço urbano e o da floresta, aproxima esses dois espaços destacando algumas semelhanças entre as cidades e as florestas. Para ele a cidade se torna uma floresta urbana, lugar de solidão em que a selvageria se esconde no fundo do coração dos humanos. (Harrison, 33).
O esvaziamento dos conteúdos religiosos leva as pessoas afirmarem: hoje “não tá enxistindo mais isso”, mas antigamente eu acredito que enxistia muita coisa porque a minha mãe me contava muitos casinho assim, sabe? (Fernandina Paranhos Chaves. Salvador, 1989).
A necessidade do homem manter as suas relações psíquicas com o espaço, pode explicar o deslocamento desses seres míticos da mata para a cidade.
Paul Zumthor em “ La mesure du monde” põe a seguinte questão: Será que o desmatamento não provoca mudanças significativas nas camadas profundas do imaginário, enfraquecendo os arquétipos que regiam essas relações? Deixo essa questão como ponto de reflexão para todos nós.
CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro. 3.ed. Rio de Janeiro, 1972.
CASCUDO, Luís da Câmara. Geografia dos mitos brasileiros. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1983.
ELIADE, Mircea. O sagrado e o profano: a essência das religiões. São Paulo: Martins Fontes, 1992.
HARRISON, Robert. Forêts: essai sur l’imaginaire occidental. Paris: Flammarion, 1992.
LE GOFF, Jacques. O imaginário medieval. Lisboa: Estampa, 1994.
LEITE, Mário Cezar Silva. Pantanal encantado: natureza, imaginário e mitos da água. 2000. (Comunicação em Congresso)
SILVA, Gonçalo Ferreira. Lenda de Caipora. Cordel.
ZUMTHOR, Paul. La mesure du monde.Pari s: Seiul, 1993.